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Terra Vermelha

A história da comunidade de Terra Vermelha, interior do município de Concórdia, iniciou-se por volta do ano de 1930. Seu nome originou-se devido ao barranco de terra de cor avermelhada, fruto de um deslizamento às margens do Rio Uruguai. Esse pedaço de terra acabou servindo como ponto de referência para os balseiros, que atravessam constantemente de um lado para o outro do rio.

Localizada a 10km de distância da comunidade de Engenho Velho, 5km de Poço Rico e 3km de Linha Meneghetti, Terra Vermelha primeiramente pertencia a uma “companhia” chamada de Luzze Rosa. Foi por volta do ano de 1934 que essas terras foram comercializadas aos balseiros, dentre os quais o Sr. Albino Thomé. Posteriormente, a área às margens do rio foi vendida às famílias que chegaram para colonizar a região. A maioria dessas famílias vieram do estado vizinho, Rio Grande do Sul. Algumas dessas cidades gaúchas ainda são lembradas: São Sebastião do Caí, Encantado, Feliz, Guaporé, Taquari, Três Arroios, Monte Negro, entre outras.

As famílias pioneiras foram: Ludivico Pizzetta, Nicolau Volbida, Luiz Reichert, Rimboldo Nienhoff, Alfredo Jung. Entre os anos de 1937 a 1944 chegaram também as famílias de: Bernardo Sandmann, Pedro Konegoni, Arlindo Kringes, Arthur Lenchardt, Albino Chunh, Zeno Klaeser, Manoel Hâes, Leopoldo Kunzler, Marcus Reichet, Edvino Kochem, Evaldo Liesenfelder, Valdomiro Kringes, entre outros.

Os colonos, com sua inesgotável energia de progredir, tornaram-se verdadeiros desbravadores dessa região, a qual não passava de uma área de mata virgem. Até o ano de 1943, entre Engenho Velho (comunidade vizinha) e Terra Vermelha, só existia um estreito carreiro que, a muito custo, permitia apenas a passagem de um cavaleiro, que levava trigo e milho para moinho. Um dos meios de escoar a produção até meados desse mesmo ano era através de canoas sobre o Uruguai. Era na comunidade de Três Barras, pertencente ao município de Aratiba/RS, que a Terra Vermelha tinha contato com o comércio gaúcho. Nessa época, os registros dos terrenos e os atendimentos médicos eram feitos no município de Itá/SC.

Apesar dos esforços pelo progresso material, os fiéis não se descuidaram de sua espiritualidade. Ainda por volta de 1943, podia-se ver grande parte dos católicos, desafiando enorme calor e frequentes chuvas, descer a costa do rio, com louvável fervor religioso, para assistir a Santa Missa na capela São Paulo Apóstolo, pertencente à Linha Meneghetti.

No ano seguinte, em 1944, deu-se largada da abertura da primeira estrada. Os colonos, a picareta e com muita força de vontade, abriram-na até Engenho Velho e, em 1945, chegou o primeiro caminhão nesta comunidade. Não sem muito custo, em 1947, foi iniciada a construção de uma escola, para atender os filhos dos moradores da localidade. O espaço escolar servia também como local de oração dos fiéis e foi inaugurado no dia 19 de março de 1949, dia de São José, Esposo da Virgem Maria. A primeira missa foi celebrada por Frei Winfredo Morlath. Posteriormente, passou a atender a região frei Jordão Buschhoff, o qual sugeriu como padroeiro o pai adotivo de Jesus. Com o consentimento da comunidade, a capela acatou a sugestão do frei. A primeira imagem de São José tinha 55cm foi doada pela família de Jacó Widerkelher.

No ano de 1954, finalmente iniciou-se a construção da igreja de madeira, que foi inaugurada no dia 27 de novembro de 1955. Celebrou a Santa Missa de inauguração o já mencionado frei Jordão Buschhoff. A capela ainda não estava completamente acabada, mas aquela celebração fez vibrar os corações de todos os moradores, com sentimentos festivos e jubilosos.

Entre os anos de 1979 e 1980, a comunidade sentiu a necessidade de edificar uma igreja nova e maior, visto que a população havia crescido consideravelmente. Dessa vez, foi feita em alvenaria. A inauguração ocorreu em 16 de novembro de 1980, com a ilustre presença do Bispo Diocesano de Joaçaba, Dom Henrique Müller, que presidiu a Eucaristia pela primeira vez no novo templo. Concelebrou essa Santa Missa Frei Samuel Both. Nesse período, muitas famílias ainda residiam em Terra Vermelha. Além disso, havia um comércio forte e a agricultura ainda contava com mão-de-obra braçal. Depois, com a chegada da barragem de Itá/SC, houve um enorme decréscimo populacional nessa região, pois muitas terras foram afetadas pelas águas represadas.

Em um contexto de fé e alegria, no ano de 1992, com enorme satisfação, os fieis católicos de Terra Vermelha viram um filho dessa terra ser ordenado sacerdote. Frei Genildo Provin, no dia 25 de janeiro de 1992, na igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário, em Concórdia/SC, foi admitido à ordem dos presbíteros. No dia seguinte, ele celebrou sua primeira missa na capela São José, em Terra Vermelha. Esse foi um dia muito especial que ficou marcado com muito carinho nos corações de todos os presentes. No ano de 2017, ele retornou a sua terra natal para celebrar e comemorar seus 25 anos de padre. Com grande participação da comunidade, ele celebrou a Santa Missa e, depois, festejou com os seus conterrâneos essa data tão especial.

Nos dias de hoje (2018), a comunidade de Terra Vermelha tem 80 famílias engajadas na fé cristã, colaborando e fortalecendo ainda mais os laços comunitários na ação evangelizadora neste pequeno pedaço de chão.