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Liturgia diária › 06/11/2016

Solenidade de Todos os Santos, ano C

liturgia06Frei Ludovico Garmus

Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, que nos dais celebrar numa só festa os méritos de todos os Santos, concedei-nos por intercessores tão numerosos a plenitude da vossa misericórdia”.

1. Primeira leitura: Ap 7,2-4.9-14

Vi uma multidão imensa de gente
de todas as nações, tribos, povos e línguas.

Quando o autor do Apocalipse escreve, os cristãos sofriam grandes perseguições por parte do Império Romano. O embate não se dá entre romanos e cristãos, mas entre o Império e o imperador simbolizados no dragão voraz, e o Cordeiro Imolado, que é Cristo Jesus. O vidente recebe a ordem de Cristo para escrever em seu livro tanto “as coisas presentes como as que acontecerão depois”. No presente, um anjo, com “a marca do Deus vivo”, pede que os anjos exterminadores esperem até que ele tenha assinalado os que serão salvos, antes da batalha final do Cordeiro imolado contra o dragão voraz. O visionário, por sua vez, “vê” o triunfo final dos que estão vestidos de branco porque “lavaram e alvejaram suas roupas no sangue do Cordeiro”. São 144 mil, 12 mil de cada tribo de Israel; são os mártires que deram testemunho da fé cristã pelo sacrifício da própria vida. Para o futuro, vê uma imensa multidão, representantes de nações, tribos, povos e línguas que participarão da vitória do Cordeiro ressuscitado.

Salmo responsorial: Sl 23

É assim a geração dos que procuram o Senhor.

2. Segunda leitura: 1Jo 3,1-3

Veremos Deus tal como é.

O autor desta Carta se encanta com o “presente de amor que o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus” e o sermos de fato. Viver consciente dessa fé nos enche de uma alegre esperança, porque “quando Cristo se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos tal como ele é”. O caminho para chegarmos a esta comunhão com Cristo, o Filho de Deus, foi seguido pelos Santos. É o caminho das bem-aventuranças: “Bem-aventurados os puros de coração porque verão a Deus” (Evangelho).

Aclamação ao Evangelho

Vinde a mim todos vós que estais cansados,
e penais a carregar pesado fardo,
e descanso eu vos darei, diz o Senhor.

3. Evangelho: Mt 5,1-12a
Alegrai-vos e exultai, porque será grande
a vossa recompensa nos céus.

Há três domingos atrás (29º domingo) Lucas contou a parábola da pobre viúva que clamava por justiça e do juiz que “não temia a Deus e não respeitava ninguém”. Ela foi persistente no seu apelo de justiça e dobrou o juiz que acabou por atendê-la, para que não mais o incomodasse. E Jesus perguntava: Será que Deus, o protetor dos órfãos, da viúva e dos pobres fará esperar quem lhe pede socorro? Concluímos que Deus não fará esperar os pobres que clamam por justiça se nós atendermos logo o clamor dos pobres e injustiçados. Hoje, Festa de todos os Santos, o evangelista Mateus aponta nas bem-aventuranças o caminho mais rápido a ser seguido pelo discípulo para socorrer com presteza o clamor dos sofredores, pobres e injustiçados; assim alcançará a “grande recompensa nos céus (v. 10 e 12). Antes de tudo é preciso ter presente que “Reino dos Céus” em Mateus equivale a “Reino de Deus” em Marcos e Lucas. Mateus escreve para cristãos de origem judaica e em respeito à tradição judaica, evita pronunciar a palavra “Deus”, substituindo-a pela palavra “Céus”. O “Reino dos Céus” não se identifica com a recompensa final da vida eterna em Deus (cf. Mc 10,17-30). Antes, é o caminho a percorrer na vida cristã para ganhar a vida eterna.

Entre os bem-aventurados Mateus cita três grupos. O primeiro grupo é dos sofredores: os pobres, os aflitos, os mansos (humildes) e os que têm fome e sede de justiça (v. 3-6). O segundo grupo é dos que socorrem os necessitados do primeiro grupo: são os misericordiosos, os puros de coração e os que promovem a paz (v. 7-9). O terceiro grupo é composto pelos do primeiro e do segundo grupo; são os que vivem o projeto do Reino de Deus, anunciado e vivido por Jesus. São perseguidos porque são solidários com os pobres, os aflitos, os humildes e injustiçados e os defendem. São caluniados e perseguidos pelo simples fato de serem cristãos.

Não podemos pensar que a formulação de algumas bem-aventuranças no futuro signifique algo que Deus vai realizar sem a nossa participação, somente na vida eterna. Deus enviou seu Filho ao mundo para nos trazer o Reino de Deus, o Reino que pedimos no Pai-Nosso. Jesus pôs em prática o programa deste Reino que veio anunciar. Quem quer seguir o caminho de Jesus deve assumir também este programa. Assim, os aflitos serão consolados quando nós os consolarmos. Os mansos possuirão a terra quando nós lutarmos com eles. Os que têm fome e sede de justiça serão saciados quando nós os defendermos. Os miseráveis e pobres alcançarão misericórdia quando nós tivermos misericórdia com eles. Os Santos que hoje festejamos seguiram o exemplo de Jesus e colocaram em prática as bem-aventuranças do Reino de Deus. Jesus é o modelo para todos nós: “Jesus percorria todas as cidades e aldeias ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando toda enfermidade e doença. Vendo o povo, sentiu compaixão dele porque estava cansado e abatido, como ovelhas sem pastor” (Mt 9,35-36). – O Bom Pastor que deu a vida pelas suas ovelhas, depois de nos ter alimentado pela Palavra de Deus, vai agora nos alimentar pela Eucaristia. Assim, com a força de seu Espírito colocaremos em prática as bem-aventuranças.