Santo Antônio vem em socorro do teu povo aflito! « Paróquia Nossa Senhora do Rosário

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Reflexões › 08/06/2018

Santo Antônio vem em socorro do teu povo aflito!

Caríssimos irmãos e irmãs,

Neste mês de junho as comunidades católicas, e muito especialmente as franciscanas, mais uma vez celebram Santo Antônio de Pádua. Estes festejos são precedidos por trezenas, novenas e tríduos, cujas temáticas alargam as invocações entoadas na tradicional “Ladainha de Santo Antônio”. Dentre as mais de trinta invocações da litania, algumas destacam Santo Antônio, a “trombeta do Evangelho”, por sua firmeza e eloquência profética dentro de uma realidade social da época, carente de verdade, de ética, de justiça, de paz e de bons costumes.

Como no tempo de Santo Antônio, também nos nossos dias contemplamos uma realidade social que causa medo, incerteza e desconforto, principalmente quando olhamos o nosso Brasil mergulhado numa vergonhosa crise institucional em todos os níveis. É possível oferecer uma resposta de esperança ao clamor do povo pobre que mais sofre as consequências desse desastre político-econômico, protegido por falácias e conveniências jurídicas?

Sabemos o quanto Santo Antônio é venerado e invocado pela religiosidade do povo brasileiro. Cada fiel carrega no seu coração um agradecimento ou um pedido ao “íntimo amigo do Menino Deus”. Neste ano o clamor e o grito dos pobres chega mais forte aos céus, isto é, ao coração de Deus, pela intercessão do “fidelíssimo filho de São Francisco”:

Nos nossos dias, para além do desafio da crise mundial provocada por esquemas iníquos e de guerras forjadas, também o nosso país vive um lamentável momento histórico! Diariamente, locutores nos apresentam um verdadeiro espetáculo circense onde ‘palhaços’ desavergonhados fazem graça da desgraça dos pobres do nosso país. Santo Antônio, o teu povo pobre necessita de pão, de moradia, de amor, de respeito, de justiça, de direitos, de educação, de saúde e não desse circo armado!

Nos nossos dias os pobres invocam Santo Antônio para que ele os ajude a recuperar as “coisas perdidas”, no meu entender, não se referem exclusivamente a objetos pessoais, mas principalmente às perdas das conquistas sociais. Perdas que geram desigualdades e injustiças. Perdas que são as retiradas de direitos e de contrarreformas que espoliam os trabalhadores. Quantas coisas foram “perdidas”, isto é, foram surrupiadas por corruptos que, inescrupulosamente, perderam toda a medida da ética e da justiça, em detrimento dos pobres e trabalhadores, excluídos da participação política nas grandes questões sociais. “Santo Antônio, reformador dos costumes, rogai por nós”!

“Justiça é a virtude com a qual, julgando-se corretamente, é dado a cada um o que é seu. Justiça é como dizer ‘juris status’, isto é, o estado de direito. Justiça é o hábito do espírito em atribuir a cada um a dignidade que lhe pertence, tendo em conta a utilidade comum. Fazem parte da justiça: o temor de Deus; o respeito à religião; a piedade; a humanidade; o gozo do justo e do bom; o ódio ao mal; o compromisso da gratidão. O mundo não possui esta justiça porque não teme a Deus, desonra a religião, odeia o bem e é ingrato para com Deus. Será julgado com relação à justiça que não praticou porque não puniu a si mesmo, segundo a justiça, pelos pecados cometidos. Será julgado com relação à justiça, mas não à sua e sim à daqueles que creem; e do confronto com eles é que receberá a condenação. Cristo não disse: “O mundo não me verá, mas “vós”, apóstolos, “não me vereis” e isso contra os mundanos que dizem: “Como podemos acreditar naquilo que não vemos? É justiça verdadeira, isto é, é fé que justifica, crer no que não se vê. Ou então: “julgará o mundo com relação à justiça” dos santos. Com efeito, diz o Senhor pela boca do profeta Zacarias: “Será estendido sobre Jerusalém o fio de prumo” (1,16).

O fio de prumo ou chumbinho é um instrumento do pedreiro; em latim se diz: ‘perpendiculum’ do verbo ‘perpendo’ que quer dizer controlar, julgar. Consiste em um chumbo ou uma pedra amarrada num barbante e com ele se controla a perpendicularidade das paredes. A justiça dos santos (a santidade deles) é com o fio de prumo que é estendido sobre Jerusalém, isto é, sobre toda pessoa fiel, para medir e ver se sua vida está conforme ao exemplo deles. Todas as vezes que se celebram as festas dos santos, é estendido este fio de prumo sobre a vida dos pecadores.

 

Santo Antônio, o “Doutor da verdade”, no seu sermão do IV Domingo da Páscoa, apresenta-nos uma atualíssima reflexão acerca da “Justiça e Santidade”. Este sermão muito bem se enquadra na conjuntura atual do nosso país. É uma homilia que tanto se aplica à consciência pessoal e conduta evangélica de cada cristão como também se enquadra na atual realidade econômica, jurídica e política que, sem dúvida alguma, possui uma dívida ética, moral e financeira para com a sociedade brasileira. Como cidadãos, sonhadores da legítima “ordem e progresso”, verificamos que se perdeu o “perpendiculum”, isto é, o fio de prumo do pedreiro, do qual Santo Antônio fala em seu sermão:

Santo Antônio, “restaurador da paz” e “extirpador de crimes”, com a tua coragem e o teu exemplo de fé, vem em socorro do teu povo aflito, para que neste mundo de tanta demagogia e falácia, prevaleça a verdade que nos torna livres (Jo 8,32). Que nos nossos dias floresça a linguagem idealizada por Santo Antônio: “A linguagem é viva, quando falam as obras. Calem-se, portanto, as palavras e falem as obras”. As boas obras são visibilidades do verdadeiro amor e da santidade. O Papa Francisco, na recente Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, admoesta: “Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra… Sê santo, lutando pelo bem comum e renunciando aos teus interesses pessoais” (nº 14).

Boas festas de Santo Antônio e que o Senhor nos abençoe e nos guarde!

 

Frei Fidêncio Vanboemmel, OFM

Ministro Provincial

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