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Reflexões › 20/02/2019

Campanha da Fraternidade 2019

O começo da Campanha da Fraternidade

A Campanha da Fraternidade (CF) teve um início modesto na cidade de Natal (RN), em 1962. Três Padres que trabalhavam na Cáritas Brasileira idealizaram um trabalho de conjunto em duas dimensões: evangelizar e arrecadar fundos para a própria instituição em suas obras assistenciais e promocionais. Assim, aos poucos, poderia caminhar com as “próprias pernas”, sem depender da Cáritas Internacional.

Em combinação com as dioceses e paróquias, as pregações quaresmais daquele ano (1962) seriam sobre a Conversão. Não só a pessoal, mas também social, isto é, que se fizesse uma coleta em dinheiro em favor da Cáritas. A este trabalho deu-se o nome de Campanha da Fraternidade.

No ano seguinte (1963), dezesseis dioceses do nordeste fizeram o mesmo. O êxito financeiro foi fraco, mas a sementinha estava plantada.

Neste espaço de tempo, estava acontecendo o Concílio Vaticano II (1962 – 1965). Os Bispos brasileiros, entusiasmados com o espírito renovador do Concílio e vendo que esta iniciativa pastoral traria bons frutos, estabeleceu que a CF fosse implantada em todas as Dioceses e Paróquias, a partir da Quaresma de 1964. Desde então e de maneira paulatina, isto foi acontecendo.

Com o tempo, foram sendo confeccionados subsídios para círculos bíblicos e catequese, programas radiofônicos e televisivos, concursos para cartazes e hinos.

Ao seu término, cada paróquia faz uma avaliação, sugerindo, inclusive, que temas poderiam ser abordados nas próximas Campanhas. O Conselho Episcopal de Pastoral (CONSEP), órgão da CNBB, escolhe qual é o mais oportuno para cada ano.

Inicialmente (1964 – 1972), os temas estavam relacionados com a renovação interna da própria Igreja. Nos anos 1973 – 1984, a Campanha se preocupou com a realidade social do povo. A partir de 1985, o tema gira em torno de situações existenciais do povo brasileiro. Ano passado foi sobre a violência e, neste, Fraternidade e Políticas Públicas (cf. Texto-Base pp. 103 a 106).

No transcorrer dos 55 anos de CF, dois fatos merecem destaque. O primeiro é que – a partir de 1970, na Quarta-Feira de Cinzas – a abertura oficial é transmitida em cadeia nacional de rádio e televisão, com a mensagem do Papa.

O outro fato é que – desde o ano 2000 – é ecumênica, com a participação de outros credos religiosos. De cinco em cindo anos, isto se repete.

Por fim, uma palavra sobre Gesto Concreto. Desde o seu início, faz parte da CF a “Coleta da Solidariedade”. Esta tem duas dimensões. Primeiramente, ela é pessoal, isto é, os R$ ofertados são fruto das renúncias-sacrifícios feitos durante a Quaresma. A importância economizada, o fiel a traz, com alegria (cf. 2Cor 9,7), na Coleta Solidária. Não é um simples colocar a “mão no bolso”, mas é fruto do sacrifício que cada um faz, livre e espontaneamente. Uma coleta, feita com este espírito, é meritória e ajuda na conversão. É claro que, se alguém “sob o impulso de seu coração” (2Cor 9,7), fizer algum acréscimo, nada o impede e é louvável.

O outro aspecto é o seu destino. Ninguém pode “botar a mão” porque ela é aplicada, integralmente, nas pastorais e/ou trabalhos afins ao tema de cada ano. 60% das quase onze mil paróquias, ficam na própria Diocese e 40% é enviado ao Fundo Nacional da Solidariedade (FNS).

Desta última, uma parte fica para subsidiar a própria Campanha e o restante é aplicado nos projetos que lhe são enviados de todo o Brasil. Cada ano, o FNS publica a prestação de contas. Em 2017, por exemplo, sobre os biomas brasileiros, auxiliou 237 projetos, num total de R$ 6.815.265,38. Em 2016, foram 209 projetos, somando R$ 6.594.378,91 e, em 2015, 230 projetos com a importância de R$ 6.902.853,12 (cf. Texto-Base, pp. 109-117).

Vamos nos converter e “Crer com as Mãos”, como diz o lema CF/1968.

Frei Luiz Iakovacz OFM

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