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Reflexões › 25/02/2017

Homilia do 8º Domingo do Tempo Comum

8º Domingo do Tempo Comum – Ano A

multidão“Olhai os pássaros dos céus; olhai os lírios dos campos! Não vos preocupeis com o dia de amanhã: vosso Pai sabe do que tendes necessidade”.

Amados em Cristo, as Palavras que hoje o Senhor Jesus nos dirige no Evangelho, sem dúvida são belíssimas; palavras tantas vezes ouvidas e repetidas, palavras que nós romanceamos como algo bonito e doce… Mas, serão palavras reais, dignas de serem levadas a sério no concreto do mundo, na crueza da dura e inclemente realidade? A questão é importantíssima, caríssimos irmãos no Senhor, porque se as palavras do nosso Divino Mestre forem belas, mas irreais, poéticas, mas inúteis, então, o Evangelho não nos serve de luz e caminho, de critério para a vida! Palavras belas que não tenham consistência real seriam palavras inúteis e mentirosas, como tantas que escutamos nos dias atuais, tão fartos de comunicação! Ora, longe do Senhor Nosso a mentira, longe do nosso Salvador a inutilidade do dizer! Pelo contrário, ele mesmo avisa: “Sereis julgados por cada palavra inútil que disserdes!” (Mt 12,36)

Sendo assim, o que Jesus nos quer dizer hoje, sobre a Montanha? Que significam suas palavras? Eis: o Senhor nos quer exortar, caríssimos, fazendo-nos compreender que o discípulo seu, o cristão, deve ter como opção fundamental da vida, como eixo da existência unicamente o Reinado de Deus: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo!” – é esta a frase central do Evangelho deste hoje! Procurai que o Pai do céu seja o vosso tudo, deixai que o Senhor Deus seja o alicerce, o eixo, o indicador do vosso caminho na vida! E aí, tudo o mais vai se tornando relativo, tudo o mais vai sendo encarado e vivenciado com liberdade, com serenidade, com sabedoria! O Senhor nos pede que deixemos Deus ser Deus na nossa vida e na vida do mundo; todo o resto deve ser avaliado e vivenciado a partir daí. É a partir desta realidade, deste modo de viver, que nossa vida se arruma, nosso coração se aquieta e tudo quanto nos acontece toma um novo sentido! Somente poderemos compreender a nossa realidade e as realidades do mundo, se estivermos firmes na verdadeira Realidade, que é Deus!

Mas como é possível, concretamente, chegar a uma confiança tão verdadeira e real em Deus, a ponto de entregar-lhe efetivamente a direção de nossa vida? – Sim, porque cantamos “toma tu a direção”, mas como é difícil entregar de verdade a direção a Deus! Caríssimos meus, o cristão somente confiará no Senhor e o amará a ponto de caminhar na sua estrada e entregar-lhe a sua vida concreta, se tiver intimidade com ele! Intimidade amorosa que experimente Deus como um amigo, como alguém que nos ama e nos é mais presente que uma mãe: “Acaso pode a mulher esquecer-se do filho pequeno, a ponto de não ter pena do fruto de seu ventre? Se ela se esquecer, eu, porém, não me esquecerei de ti!” Quando tivermos tal intimidade com o Senhor, a ponto de irmos experimentando a verdade dessas palavras, então seremos verdadeiramente capazes de confiar nele! Somente confiamos num amigo íntimo; somente apostamos a vida em quem amamos de fato! Se formos amigos de Deus, se o amarmos realmente, então nele confiaremos, a ponto de colocar nossos pés nos seus passos! Este o exemplo que vemos São Paulo nos dar na segunda leitura de hoje: ele não quer ser outra coisa que um simples servidor de Cristo. Ora, porque ama o seu Senhor, porque deseja somente servi-lo, é livre em relação a si próprio e em relação aos outros: “Quem me julga é o Senhor!” Quanta liberdade, quanta serenidade, quanta felicidade para quem vive assim!

Meus caros, fomos feitos para viver na amizade com o Senhor e somente equilibraremos nossa vida e sossegaremos nosso coração vivendo nesta amizade! O mundo atual, este, que nos cerca, é tão complexo e estressante! Pensemos no que encontraremos nesta semana que hoje começa: os desafios no trabalho, os aperreios das finanças, as tensões na família, a competição na profissão, a busca da realização afetiva, a procura de um lugar na sociedade… Ninguém escapa de tais batalhas! Mas, como me coloco ante estas realidades? Qual o eixo que orienta tudo o mais? Em outras palavras, mais dramáticas: Quem é o Senhor da minha vida? Onde está o centro de minhas preocupações, o critério fundamental, o valor absoluto, que dirige, unifica e dá sentido a todas as minhas escolhas, às minhas ações, palavras e reações? Só se pode servir a um Senhor: “Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro!” Em outras palavras: não podeis ter a Deus como alicerce de vossa existência se tudo fazeis pensando simplesmente em dar-vos bem neste mundo! Quem é o teu Senhor? Quem é, realmente, o critério último e a absoluto da minha existência? A resposta não é tão simples, pois “onde está o vosso tesouro, aí estará o vosso coração” (Mt 6,21).

Não podemos, caríssimos, fugir desta questão, pois um dia nossa vida será colocada diante do tribunal de Cristo; teremos de prestar contas da nossa existência! Um Dia – naquele Dia tremendo, Dia de Cristo -, os projetos do nosso coração serão colocados às claras na luz do nosso Salvador! “Então, cada um receberá de Deus o louvor que tiver merecido”. Aprendamos, pois, a confiar no Senhor, que jamais se esquece de nós! Deixemos que ele seja uma Presença na nossa vida! Que possamos dizer com toda a realidade as palavras do Salmista na Missa de hoje: “Só em Deus a minha alma tem repouso! Só ele é meu rochedo e salvação, a fortaleza onde encontro segurança! O meu refúgio e rocha firme é o Senhor!” Amados em Cristo, a vida é preciosa demais para ser empregada em futilidades, para não ser realmente levada a sério! Cuidado! Seja o Senhor o fundamento da nossa existência, seja ele o critério de nossas decisões, seja ele a luz e o alento de nossas lutas. Aí poderemos experimentar a verdade das palavras o Salmo 17: “O Senhor se tornou o meu apoio, libertou-me da angústia e me salvou porque me ama!”

+Dom Henrique Soares da Costa

Bispo Diocesano de Palmares/PE


8º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Quantas maravilhas Deus coloca diariamente diante de nós. E nós, como filhos ingratos, nem nos damos conta destes bens gratuitos! Temos a tendência de colocar a nossa segurança nos bens materiais, desprezando os favores de Deus! E assim, muitos de nós, vamos passando pela vida sem vivê-la, nos desgastando com preocupações desnecessárias, preocupações com o dia de amanhã que nós nem sabemos se Deus vai nos permitir vivê-lo.
dicipulosSe tomássemos os ensinamentos de Jesus, como manual de instrução para conduzir a nossa vida, com certeza, não perderíamos tempo com tantas preocupações. Quando deixamo-nos orientar pelos os ensinamentos de Jesus, o nosso viver torna mais leve, pois à Luz de Cristo, fazemos escolhas certas! É a confiança na providência Divina que nos possibilita a leveza da vida!
Confiar na providência Divina não significa cruzar os braços e ficar esperando que as coisas caiam do céu. Pelo contrário, a confiança na providência Divina nos coloca em movimento, pois a certeza de que temos um Pai que nos ama, que cuida de nós, que irá nos ajudar, através do nosso esforço, a termos o que nos for necessário, é que nos motiva a ir à luta!
Ao nos criar, Deus não se contentou em somente nos dar a vida, como quis também nos cercar de cuidados. Cuidados para com o nosso corpo, como para com o nosso espírito! Para nos garantir uma boa qualidade de vida, Deus nos deu uma rica natureza de onde é tirado o nosso alimento físico e para o nosso alimento espiritual, Deus nos deu Jesus!
Cada dia, é uma oportunidade que Deus nos concede para revermos a nossa vida, rever os valores sobre os quais estamos construindo o nosso futuro, um futuro que vai além desta vida.
O evangelho que a liturgia de hoje coloca diante de nós vem nos conscientizar do quanto estamos apegados às coisas terrenas!
O olhar prazeroso para as coisas do mundo nos impede de enxergarmos as maravilhas que Deus coloca a todo instante diante de nós! Jesus é bem claro: “Não podemos servir a Deus e ao Dinheiro”. Esta afirmação de Jesus provoca-nos a um questionamento: a quem de fato, estamos servindo: a Deus ou ao dinheiro? É preciso definir, fazer escolha, afinal, a Deus e ao dinheiro não podemos servir!
Não sejamos ingênuos de achar que Jesus condena o dinheiro, Jesus não condena o dinheiro, afinal, quando é fruto do nosso trabalho, o dinheiro é abençoado, pois é dele que provém o nosso alimento. O que Jesus reprova é o acúmulo de dinheiro, como se ele garantisse o nosso futuro, e o lugar que o colocamos na nossa vida. O acúmulo de dinheiro nos escraviza, nos leva a ganância, ao consumismo, que é o motor alimentador deste sistema que aí está, um sistema gerador de excluídos, que descarta os que não consomem.
Busquemos em primeiro lugar o Reino de Deus, e tudo mais nos será acrescentado! É priorizando os bens eternos, que estaremos construindo o nosso futuro!
É fazendo um caminho de volta às nossas raízes, que vamos redescobrindo a nossa verdadeira origem: viemos do Pai e para o Pai retornaremos. Esta certeza, deve nos conscientizar de que nós não precisamos de tantas coisas enquanto estamos aqui, afinal, deste mundo, nada levaremos a não ser o bem que fazemos!
Preocupação, medo, angústia estão fora de questão, quando se confia na providência Divina.

Olívia Coutinho

homiliadominical2.blogspot.com.br

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