Homilia do 4º Domingo do Advento « Paróquia Nossa Senhora do Rosário

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Reflexões › 16/12/2016

Homilia do 4º Domingo do Advento

IV Domingo do Advento

anjoEstamos às portas do Santo Natal. Eis o que vamos contemplar nos ritos, palavras e gestos da sagrada liturgia: o Verbo eterno do Pai, o Filho imenso, infinito, existente antes dos séculos, fez-se homem, fez-se criatura, fez-se pequeno e veio habitar entre nós. Sua vinda ao mundo salvou o mundo, elevou toda a natureza, toda a criação. A sua bendita Encarnação lavou o pecado do mundo e deu vida divina a todo o universo! Mas, atenção: este acontecimento imenso, fundamental para a humanidade e para toda a criação, a Palavra de Deus hoje nos diz que passou pela vida simples e humilde de um jovem carpinteiro e de uma pobre menina moça prometida em casamento numa aldeia perdida das montanhas da Galiléia. O Deus infinito dobrou-se, inclinou-se amorosamente sobre a pequena e pobre realidade humana para aí fazer irromper o seu plano de amor. Acompanhemos piedosamente o Evangelho deste Quarto Domingo do Advento.

São Mateus diz que a Mãe de Jesus “estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo”. As palavras usadas pelo Evangelista são simples, mas escondem uma realidade imensa, misteriosa, inaudita. Pensemos em José e Maria, ainda jovens. Eles certamente se amavam; como todo casal piedoso daquela época pensavam em ter filhos – os filhos eram considerados uma bênção de Deus. Mas, eis que antes de viverem juntos, a Virgem se acha grávida por obra do Espírito Santo! Deus entra silenciosamente na vida daquele casalzinho. Nós sabemos, pelo Evangelho de São Lucas, que Maria disse “sim”, que Maria acreditou, que Maria deixou que Deus fosse Deus em sua vida: “Eu sou a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lc 1,38). De repente, eis que uma vida de família, que tinha tudo para ser pacata e serena, viu-se agitada por uma tempestade. Por um lado, a Virgem diz “sim” a Deus e, sem saber o que explicar ou como explicar ao noivo, cala-se, abandonando-se confiantemente nas mãos do Senhor. Por outro lado, José sabe que aquele filho não é seu; não compreende como Maria poderia ter feito tal coisa com ele: ter-lhe-ia sido infiel? E, no entanto, não ousa difamar a noiva. Resolve deixá-la secretamente. Quanta dor, quanta dúvida, quanto silêncio: silêncio de Maria, que não tem o que dizer nem como explicar; silêncio de José que, na dor, não sabe o que perguntar à noiva; silêncio de Deus que, pacientemente, vai tecendo a sua história de salvação na nossa pobre história humana. E, então, como fizera antes com a Virgem, Deus agora dirige sua palavra a José: “José, filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo de seus pecados”. Atenção aos detalhes! O Anjo chama José de “filho de Davi”. É pelo humilde carpinteiro que Jesus será descendente de Davi. Se José dissesse “não”, Jesus não poderia ser o Messias, Filho de Davi! Note-se que é José quem deve dar o nome ao Menino, reconhecendo-o como seu filho. Note-se ainda o nome do Menino: Jesus, isto é, “o Senhor salva”! Deus, humildemente, revela seu plano a José e, depois de pedir o “sim” de Maria, suplica e espera o “sim” de José. E, como Maria, José crê, José se abre para Deus em sua vida, José mostra-se disposto a abandonar seus planos para abraçar os de Deus, José diz “sim”: “Quando acordou, José fez conforme o Anjo do Senhor havia mandado, e aceitou sua esposa!”

Eis! Adeus, para aquele casal, o sonho de uma vida tranquila! Adeus filhos nascidos da união dos dois! Agora, iriam viver somente para aquele Presente que o Senhor lhes havia dado, para a Missão que lhes tinha confiado… O plano de Deus passa pela vida humilde daquele casal. Para que São Paulo pudesse dizer hoje na Epístola aos Romanos que é “apóstolo por vocação, escolhido para o Evangelho… que diz respeito ao Filho de Deus, descendente de Davi segundo a carne”, foi necessária a coragem generosa da Virgem Maria e o sim pobre e cheio de solicitude do jovem José. Para que a profecia de Isaías, que ouvimos na primeira leitura, fosse concretizada, foi necessário que aquele jovem casal enxergasse Deus e seu plano de amor nas vicissitudes de sua vida humilde e pobre!

Também conosco é assim! O Senhor está presente no mundo. Aquele que veio pela sua bendita Encarnação, nunca mais nos deixou. Na potência do seu Espírito Santo, ele se faz presente nos irmãos, nos acontecimentos, na sua Palavra e, sobretudo nos sacramentos. Sabemos reconhecê-lo? Abrimo-nos aos seus apelos? E na nossa vida? Essa vida miúda, como a de José e Maria, será que reconhecemos que ela é cheia da presença e dos apelos do Senhor? No Advento, a Igreja não se cansa de repetir o apelo de Isaías profeta: “Céus, deixai cair o orvalho; nuvens, chovei o Justo; abra-se a terra e brote a Salvador!” (Is 45,8). É interessante este apelo: a salvação choverá do céu, vem de Deus, é dom, é graça… mas, por outro lado, ela brota da terra, da terra deste mundo ferido e cansado, da terra da nossa vida.

Supliquemos à Virgem Maria e a São José que intercedam por nós, para que sejamos atentos em reconhecer o Senhor nas estradas de nossa existência e generosos em corresponder aos seus apelos, como o sagrado Casal de Nazaré. Assim fazendo e assim vivendo, experimentaremos aquilo que o Carpinteiro e sua santa Esposa experimentaram: a presença terna e suave de Jesus no dia-a-dia humilde de nossa vida.

+ Dom Henrique Soares da Costa
Bispo Diocesano de Palmares/PE


IV Domingo do Advento

presepioO tempo se estreita e o nosso coração se alarga para acolher Jesus, que já está no meio de nós, mas às vezes, não o acolhemos como devíamos, não damos espaço para Ele na nossa vida!
O amor grandioso do Pai ultrapassou todos os limites, Deus se fez homem para resgatar o próprio homem, trazendo-o de volta ao seu convívio! É através do próprio humano, que Deus age em favor do humano! Foi vestindo- se da fragilidade humana, que Ele nos ensinou a sermos fortes, a sermos inteiros no amor!
Em todos os anos, o Natal em si, é sempre o mesmo, novo, diferente, deve ser as nossas atitudes, o nosso olhar para a face de Jesus estampada nos rostos desfigurados de tantos irmãos esquecidos às margens do caminho!
O Natal é de Jesus, mas a festa é de todos, é a festa da vida, que será tanto maior quanto melhor, para aquele que preparou ao longo destes dias se espelhando em Maria que tão bem preparou para que o Natal de Jesus acontecesse na vida de todos. Mais do que uma festa em que se partilha presentes, o Natal é a presença de Jesus em nós, sem a sua presença na nossa vida, não há Natal!
Deus se revelou na pessoa de Jesus, Jesus é modelo de humildade, do amor perfeito, Ele é o amor que une, que promove, que liberta!
O evangelho que a liturgia de hoje nos apresenta, nos fala da origem de Jesus, de uma história de amor que começou com o “sim” de Maria e que deu continuidade com a significante colaboração de José, um carpinteiro, que abriu mão de uma vida tranquila, na pacata cidade de Nazaré, para assumir o grande desafio: cuidar do Filho de Deus!
A história de Jesus, o seu nascimento, não está distante da nossa realidade, afinal, Jesus, o Deus que se fez homem, nasceu de uma mulher, viveu numa família como um de nós!
Olhando para Maria, a Mãe de Jesus, podemos ver uma mulher cheia de graça, uma jovem que abriu mão de todos os seus projetos pessoais para viver o projeto de Deus. Na sua humildade, Maria não hesitou em se entregar por inteira a vontade de Deus, deixando tudo acontecer exatamente como Ele quis!
Olhando para José, o pai adotivo de Jesus, podemos ver a figura de um homem bom, um homem simples, de pouca fala, mas que também, como Maria, acolheu na obediência a vontade de Deus: “José não tenhas medo de levar Maria para sua casa”… Na sua humildade, José, sem hesitar, acolheu estas palavras de Deus, proferidas pelo anjo em sonho, acolhendo Maria como sua esposa! E assim, o projeto de Deus começa a se desenvolver através do humano revestido do divino, é o início da história da Salvação!
Hoje, nós vivemos os frutos desta bela história de amor, uma história que teve início, mas que nunca terá fim, pois ela continua de geração em geração, hoje, através de nós! É no amor, no carinho e no serviço ao outro, que vamos dando continuidade a esta bela história de amor!
É permitindo a ação de Deus em nós, a favor do outro, que vamos vislumbrando um novo céu e uma nova terra!
A nossa vida deve ser pautada no exemplo de Jesus, que mesmo sendo Deus, abriu mão de todas as suas prerrogativas divinas para se tornar “Filho”, um filho totalmente dependente do Pai!
Graças ao “sim” de Maria e a significante colaboração de José, Deus se fez homem, veio morar conosco, experimentar as nossas dores e as nossas alegrias!
Aprendamos com Maria e com José, que, para dizer “Sim” a Deus, não precisamos saber exatamente o que Ele quer de nós, basta nos colocarmos a seu dispor que Ele abre caminhos!

Olívia Coutinho

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