Homilia do 4º Domingo da Quaresma « Paróquia Nossa Senhora do Rosário

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Reflexões › 24/03/2017

Homilia do 4º Domingo da Quaresma

IV DOMINGO DA QUARESMA

1Sm 16,1b.6-7.10-13a
Sl 22
Ef 5,8-14
Jo 9,1-41

cego2O Evangelho de hoje é mais uma belíssima catequese batismal que nos prepara para a santa Páscoa. Não esqueçamos que em muitas paróquias adultos estão terminando seus preparativos para o Batismo.

No Domingo passado, no Evangelho da Samaritana, vimos que Jesus é o Messias que dá a verdadeira água do Espírito Santo, água que jorra para a vida eterna.

Neste hoje, “ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença”. Esse homem simboliza os judeus; pode simbolizar também a humanidade toda. Os discípulos, apegados a uma crença popular antiga, tão combatida por Jeremias e Ezequiel, pensavam que o cego estava pagando pelos pecados seus ou dos seus antepassados. É uma crença errada, semelhante à superstição da reencarnação: “Quem pecou para que nascesse cego: ele ou seus pais?” Não há resposta, não há explicação! Os segredos da vida pertencem a Deus! Se crermos no seu amor, se nos abandonarmos nas suas mãos, a maior dor, o mais inexplicável sofrimento pode ser confortado pela certeza de que Deus está conosco e nos fortalece: “Nem ele nem seus pais pecaram: isso serve para que as obras de Deus se manifestem nele!” Até na dor e no sofrimento Deus está presente quando somos abertos à sua presença. Pena que nosso mundo superficial e incrédulo não compreenda isso… Se se abrisse para Jesus, o Inocente crucificado e morto… Na sua luz, contemplamos a luz da vida: “Enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo!” Mas, o nosso mundo se fecha na sua racionalidade cega e orgulhosa…

Jesus cospe no chão e faz lama. A saliva, para os judeus, continha o espírito; simboliza, então, como a água, o dom do Espírito. Depois, Jesus ordena: “Vai lavar-te na piscina de Siloé!” É a piscina do Enviado de Deus, do Messias, imagem da piscina do nosso Batismo, na qual somos iluminados pelo Senhor que é luz do mundo! Por isso o homem vai e retorna vendo. Eis o que é o cristão, o discípulo de Cristo: aquele que era cego, foi lavado na piscina batismal e voltou vendo. Porque ele vê, os judeus o expulsam da sinagoga, como o mundo também nos expulsa de sua amizade e apreço! Não somos do mundo, como o Senhor nosso não é do mundo; ele nos separou do mundo! Agora, curado da cegueira, aquele que foi iluminado pode ver Jesus; ver com a fé, ver a realidade mais profunda, ver que ele é o Senhor, Filho de Deus: “’Acreditas no filho do Homem?’ ‘Quem é, Senhor, para que eu creia nele?’ Jesus disse: ‘Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo!’” Para isso te curei, para isso fiz-te enxergar! “’Eu creio, Senhor!’ E prostrou-se diante de Jesus!”

Também nós fomos iluminados pelo Cristo no Batismo. Para nós valem as palavras de São Paulo:“Outrora éreis treva, mas agora sois luz no Senhor! Vivei como filhos da luz! Não vos associeis às obras das trevas!” Eis, caros irmãos: iluminados por Cristo não podemos pensar como o mundo, sentir como o mundo, agir como o mundo! Devemos viver na luz e ser luz para o mundo! Mas, não é fácil; não basta querer! Sem a graça do Senhor, nada conseguiremos, a não ser sermos infiéis! Por isso a necessidade dos exercícios quaresmais; por isso a oração, a penitência e a caridade fraterna, por isso a necessidade da confissão de nossos pecados! Não nos esqueçamos: não poderemos zombar de Cristo: seremos julgados na sua luz: “Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não vêem vejam e os que vêem se tornem cegos!” – Eu vim para revelar a luz aos humildes, aos que se abrem à minha Palavra e à minha Presença, e vim revelar a cegueira do mundo confiado na sua própria razão, na prepotência de seus próprios caminhos! Porque este mundo diz que vê, que sabe, que está certo, seu pecado permanece! Somente se se abrir para a luz do Cristo, caminhará na luz e enxergará de verdade!

E nós, caminhamos na luz ou permanecemos nas trevas? Que o Senhor ilumine a nossa vida. Amém!

+Dom Henrique Soares da Costa
Bispo Diocesano de Palmares/PE


IV DOMINGO DA QUARESMA

Neste quarto domingo da Quaresma, já podemos alargar um pouco mais os nossos passos, pois já temos uma visão clara do caminho que temos que percorrer, se quisermos de fato, chegarmos à Páscoa do Senhor Jesus, renovados, revestidos de uma nova roupagem: da graça de Deus! Aprendemos muito nesta nossa caminhada de preparação para a Páscoa, mas ainda há muito que aprender, afinal temos uma missão desafiadora pela frente: dar continuidade à missão de Jesus que não foi interrompida com a sua volta para o Pai!

A realização plena do homem foi e continua sendo a prioridade de Deus. Ele provou isso, ao investir alto no resgate deste bem que lhe é precioso, permitindo que seu Filho pagasse com a vida o preço da nossa liberdade. Aproveitemos, pois, estes dias que nos separam da grande Festa da vida, para revisar o quanto há de luz e sombra em nossa vida, pois ainda há tempo de abandonarmos tudo o que nos impede de aproximarmo-nos da Luz!

No Evangelho do domingo passado, Jesus, no encontro com uma samaritana, se apresenta como a água viva que sacia a nossa sede. Neste domingo, Ele se apresenta como a luz libertadora, devolvendo a visão a um cego de nascença! Enquanto caminhava com seus discípulos, Jesus vê um cego de nascença e se compadece dele. E, como naquela época a ideia religiosa dominante induzia o povo a acreditar que a doença era castigo de Deus, consequência do pecado, os discípulos ficaram curiosos, querendo saber quem havia pecado, já que aquele homem era cego de nascença. Jesus, que gostava de aproveitar todas as oportunidades para passar grandes ensinamentos, corrige esse modo errôneo de pensar.

Pensar que Deus castiga seus filhos com doenças, é negá-Lo como Pai. Um pai nunca quer o sofrimento para o filho. Deus é puro amor. Ele não castiga ninguém. A doença faz parte da fragilidade humana, não vem de Deus. Ao libertar o cego das correntes que o aprisionava, a cegueira, como também as correntes do preconceito, Jesus nos mostra o para que Ele veio ao mundo! Ele veio trazer vida e não a morte! Jesus quer que todos tenham vida, que caminhe com suas próprias pernas, que enxerguem mais além, que lutem pelos seus direitos, o direito a uma vida digna.

Jesus não veio ao mundo com a finalidade de realizar milagres. Os milagres que Ele realizava era devido a sua sensibilidade diante os sofredores. Jesus veio nos encorajar, mostrar a nossa força, nos libertar das amarras que nos impedem de caminhar… A presença de Jesus em nossa vida é transformadora, quebra as correntes que nos aprisiona, tira-nos da escuridão das trevas, com Ele adquirimos força, ânimo para seguir em frente. Com Jesus, nossa vida ganha um significado novo, sua presença iluminadora nos faz enxergar além do que os olhos humanos alcançam!

Nada justifica vivermos na escuridão se temos um “interruptor” bem ao nosso alcance, basta-nos um pequeno movimento para que a Luz de Cristo incendeie a nossa vida! As nossas dores, o nosso sofrimento, não nos impedem de aproximarmos da luz, pelo contrário, são nestes momentos que somos cobertos pela Luz de Cristo, é essa Luz, que nos faz enxergar novos horizontes! O episódio que marcou a cura de um cego de nascença, vem nos acordar para uma realidade bem próxima a nós: os muitos irmãos que vivem nas trevas, uns, porque ainda não conheceram a Luz, outros, porque rejeitam a Luz, porque preferem as trevas para esconder as suas más ações.

O cego de nascença representa todos aqueles que vivem na escuridão, que são os prisioneiros de tantas cadeias que os impedem de ser eles mesmos. E nós, como estamos vivendo? Estamos à caminho da “piscina” de “Siloé” com o propósito de retirar a “lama” dos nossos olhos? Ou preferimos continuar tateando por aí, com os nossos olhos vendados, correndo o risco de cairmos em “piscinas” vazias e nos machucar seriamente?

Qual é o Jesus que queremos enxergar? Um Jesus bonzinho, quietinho lá no céu, sem nos “incomodar”? Se assim for, perdemos a oportunidade de fazer a experiência do Jesus verdadeiro, o Jesus próximo de nós, que nos incomoda, que nos desinstala, que quer nos ver a caminho, carregando a nossa cruz, estendendo as nossas mãos para os “cegos” que a sociedade vive jogando à beira do caminho! Não podemos viver na incerteza, como aquele povo que questionou a cura do cego, que alegou ser uma infração contra à lei, por aquela ação misericordiosa de Jesus ter sido realizada em dia de sábado, como se para fazer o bem houvesse dia e hora.

Que possamos neste tempo Quaresmal nos banhar por inteiros na piscina de “Siloé” e de lá sairmos limpos, renovados, prontos para assumirmos a nossa missão. Jesus, a luz redentora, nos convida a renunciar tudo o que gera “trevas”.

Olívia Coutinho

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