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Reflexões › 02/12/2016

Homilia do 2º Domingo do Advento

2º DOMINGO DO ADVENTO

(4 de dezembro de 2016)

alegrai-vosA liturgia do tempo do Advento não somente nos faz recordar as promessas de Deus sobre o Messias, mas também nos vai mostrando os traços da missão desse Salvador tão prometido e tão esperado.

O profeta Isaías usa uma imagem impressionante: do velho tronco de Jessé, isto é, da dinastia já antiga de Davi, nascerá uma hastezinha, modesta, frágil, pequena: um rebento! Querem coisa mais frágil, mais débil? Qualquer criancinha pode quebrar, estiolar uma haste… E, no entanto, sobre este rebento tão frágil repousará o Espírito do Senhor. Esta haste é o ungido pelo Espírito, é o Messias, o Cristo de Deus, brotado da Casa de Davi!
João, o Batista, dirá no Evangelho de hoje que “ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”, isto é, com o fogo do Espírito! Só ele pode fazer isso, porque somente ele é pleno do Espírito: “Espírito de sabedoria e discernimento, Espírito de conselho e fortaleza, Espírito de ciência e temor de Deus”. Como é Santo o Messias prometido pela boca dos profetas! Porque pleno do Espírito, ele é justo: ele não julgará pelas aparências nem decidirá somente por ouvir dizer, mas trará a justiça para os humildes e uma ordem justa para os pacíficos”. Eis: ele vem para quem tem um coração pobre, para os que têm consciência que, sozinhos, não poderão nunca levar o peso da vida. Somente os pobres poderão acolhê-lo, reconhecê-lo, alegrar-se com sua chegada: sua justiça é justiça para quem chorou, para quem sentiu fraqueza física, moral, psíquica, econômica ou existencial…

“Com justiça ele governe o vosso povo; com equidade ele julgue os vossos pobres. No seus dias a justiça florirá e grande paz até que a lua perca o brilho! Libertará o indigente que suplica, e o pobre ao qual ninguém quer ajudar. Terá pena do humilde e do infeliz, e a vida dos humildes salvará. Todos os povos serão nele abençoados, todas as gentes cantarão o seu louvor!” Que Rei bendito! Que santo Messias! Que esperança para o nosso coração cansado, para o nosso mundo desiludido! Porque ele vem curar os corações, vem trazer o perdão de Deus, aqueles que o acolherem conhecerão a paz verdadeira: “O lobo e o cordeiro viverão juntos e o leopardo deitar-se-á ao lado do cabrito; o bezerro e o leão comerão juntos e até mesmo uma criança poderá tangê-los. A vaca e o urso pastarão lado a lado, enquanto suas crias descansam juntas; o leão comerá palha como o boi; a criança de peito vai brincar em cima do buraco da cobra venenosa; e o menino desmamado não temerá pôr a mão na toca da serpente. Não haverá danos nem mortes… porque a terra estará repleta da ciência do senhor quanto as águas que cobrem o mar…”

Que sonho: uma humanidade reconciliada, um mundo de paz, um homem, uma criação em harmonia… Eis o sonho do Messias, eis o dom que ele traz! São Paulo diz, na Carta aos Romanos, que Cristo realiza este sonho prometido. A primeira reconciliação que ele trouxe foi unir num só povo, numa só humanidade, o que antes era dividido: judeus e pagãos. Quem o acolhe agora é parte de um novo povo – a Igreja!

Mas, esta paz precisa ainda aparecer claramente no mundo! E aqui, não nos iludamos: o mundo não conhecerá a paz de verdade, o coração humano não conhecerá o sossego enquanto não acolher de verdade o Cristo do Pai, o Senhor Jesus! O sonho que Deus sonhou para nós e para toda a humanidade ao enviar Jesus, não poderá ser sonhado e realizado sem o nosso “sim”. E o trágico é que o mundo vai dizendo “não”. Este Natal encontrará o mundo mais pagão que o do ano passado… Que pena!

Nós, cristãos, temos, no entanto, uma missão neste mundo, nesta situação atual. Escutemos o profeta: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo! Raça de víboras! Quem vos ensinou a fugir da ira que vai chegar? Produzi frutos que provem a vossa conversão! O machado está na raiz da árvore e toda aquela que não produzir fruto será cortada e lançada ao fogo!” Caros irmãos, o Advento, tempo de alegre expectativa, é também tempo de juízo. O mundo precisa do nosso testemunho, da nossa palavra de esperança, do nosso modo de viver inspirado no Evangelho! Chega de um bando de cristãos vivendo como todo mundo vive, pecando como todo mundo peca, medíocres como todo mundo é medíocre! Se não dermos frutos, seremos cortados! Vivemos num mundo que não somente é descrente como também zomba da fé: as porcarias das novelas, a corrupção dos governantes, a imoralidade sexual, a dissolução das famílias, a imoralidade da ciência prepotente que se julga senhora do bem e do mal, as calúnias e mentiras contra a Igreja, o modo de viver de quem não tem esperança… E muitos de nós, que nos dizemos crentes, não notamos isso, vivemos numa boa entre os pagãos e como os pagãos… E ainda nos dizemos cristãos!

O roxo desse tempo convida-nos à vigilância, a compreendermos que Aquele que vem com amor, que vem como Salvador, nós o podemos perder para sempre se não nos abrirmos para ele no aqui e no agora de nossa existência. Não brinquemos com a vida que temos: ela poderá ser plenificada pelo Santo Messias com a glória do céu; ou poderá ser perdida para sempre, longe do Cristo de Deus, num total absurdo, a que chamamos inferno! Não esqueçamos: o sonho de Deus é lindo: é de salvação e de paz! Levemo-lo a sério, vivamo-lo e sejamos suas testemunhas no mundo de hoje! Não relaxemos, não desanimemos, não nos cansemos de esperar. Como diz a profecia de Isaías, numa de suas passagens mais misteriosas: “Sentinela, que resta da noite? Sentinela, que resta da noite? A sentinela responde: ‘A manhã vem chagando, mas ainda é noite’. Se quereis perguntar, perguntai! Vinde de novo!” (Is 21,11s). Quanto restará da noite deste mundo? Não sabemos! Mas, a manhã, a aurora radiosa do dia do Messias virá! Nós somos as sentinelas que o Senhor colocou na noite deste mundo. Vigiemos! Ainda que tantas vezes nos perguntemos: Meu Deus, “quanto resta de noite?” O Senhor não nos impede de perguntar: “se quereis perguntar, perguntai…” Mas – atenção! – ele não aceita que percamos a esperança, que deixemos nosso posto de vigia: “Vinde de novo!” eis, novamente, o convite que ele nos faz: Vinde de novo! Recomeçai, retomai a esperança, vigiai: ainda é noite, mas a manhã luminosa vem chegando! Vem, Senhor Jesus! Vem, ó Santo Messias! Tem piedade de nós! Amém.

+ Dom Henrique Soares da Costa
Bispo Diocesano de Palmares/PE


2º DOMINGO DO ADVENTO

(04 de dezembro de 2016)

joao_batistaO Evangelho deste segundo Domingo do Advento nos convida a tomarmos consciência da importância de intensificarmos a nossa vigilância, de buscarmos continuamente a nossa conversão. Este tempo reflexivo nos sugere uma desaceleração da nossa rotina, para que possamos, a partir de uma revisão de vida, nos reorganizarmos interiormente, eliminando o que nos distancia de Deus e reavendo os valores que nos aproximam d’Ele, valores, que fomos perdendo com a nossa dispersão.
O Natal do Senhor Jesus está prestes a chegar! Esta festa vem nos falar da grandiosidade do amor de Deus pela humanidade! Deus não desiste do humano e é através do próprio humano que ele age em favor do humano! Podemos perceber isso claramente no Evangelho de hoje, quando Deus coloca no meio do povo, um mensageiro, um homem simples, com uma missão tão grande: preparar o encontro do Divino com o humano! O texto nos apresenta a figura de João Batista, o profeta que veio realimentar a esperança dos sofredores, daqueles que já haviam perdido a esperança no humano!
João Batista aparece no deserto, isto é, na periferia, fora do palco do poder, sua forma de vestir e de se alimentar mostrava a sua autonomia, a sua independência diante dos poderes políticos e religiosos aos quais o povo estava submetido. João Batista foi o maior dos profetas, sua vida foi marcada por grandes contrastes: vivendo o silêncio do deserto e movendo multidões! O próprio Jesus o reconheceu como sendo ele “o maior dentre todos os nascidos de mulher” (Lc 7,28). Em suas pregações, o Profeta João convidava todos a mudar de vida. Apesar de pregar no deserto, vinham pessoas de todos os lugares para ouvi-lo e serem batizadas por ele (batismo de conversão), inclusive os fariseus e saduceus, que se diziam filhos de Abraão (o pai da fé). Mas João não se deixava enganar por estes, ele sabia muito bem da falsidade que transitava nos seus corações. Por isso, ele era duro com eles: “Raça de cobras venenosas! Quem vos ensinou fugir da ira que vai chegar? Produzi frutos que provem a vossa conversão”. Com esta severa advertência, o profeta critica a fé teórica, lembrando-nos que o que vai nos identificar diante do Senhor serão as nossas atitudes, nossas atitudes de amor.
Como sabemos, João Batista teve uma significante participação na história da Salvação. Ele é uma das figuras mais relevantes do Advento. Foi ele quem abriu o caminho para a entrada de Jesus no seio da terra, quem preparou o povo para acolher a manifestação de Deus na pessoa de Jesus. Ele é um dos protagonistas da mais bela história de amor, uma história que jamais terá fim. Suas palavras continuam ecoando em todos os confins da terra, de geração em geração: “Convertei-vos e crede no evangelho”. “Eis o cordeiro de Deus”…
Uma das grandes virtudes que marcou a vida de João Batista foi a humildade, ele sempre se colocou no lugar de mensageiro. Não aproveitou de seu prestígio junto ao povo para se auto-promover. Reconheceu a sua pequenez diante da grandiosidade de Jesus: “E eu não sou digno nem de tirar-lhe as sandálias”.
João Batista, o profeta que aplainou o caminho do Senhor com a sua pregação e o seu testemunho de vida foi um grande exemplo de quem viveu exclusivamente a vontade de Deus! Ele não se acomodou nas tradições do seu povo, pelo contrário, buscou algo novo, fazendo-se anunciador de um tempo novo! Imitemos este grande profeta, sendo a voz que grita no deserto contra todos os que insistem em manter os caminhos tortuosos como expressão de valores.
Neste advento, façamos como João Batista, abramos o caminho para a entrada de Jesus no coração daquele que ainda não experimentou a alegria de viver o verdadeiro sentido do Natal!

Olívia Coutinho

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