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Reflexões › 25/11/2016

Homilia do 1º Domingo do Advento

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1º DOMINGO DO ADVENTO

(27  de novembro de 2016)

Is 2,1-5

Sl 121

Rm 13,11-14

Mt 24,37-44
Com esta santa Eucaristia, estamos iniciando o novo ano litúrgico na Igreja. É este o primeiro Domingo do Advento, o tempo de quatro semanas que nos prepara para o Natal do Senhor. Tudo na Liturgia nos ajudará nessa santa preparação, na santa espera, cheia de esperança: o roxo significa a vigilância de quem aguarda, a moderação das flores ajuda-nos a concentrar nossa atenção naquele que vem, o “Glória” não cantado prepara-nos para cantá-lo como novidade na Noite Santa do Natal. Os sentimentos do nosso coração devem ser a vigilância, a piedade humilde de Maria Virgem, de José, dos pastores, de Simeão, Zacarias e Isabel, o espírito de conversão anunciado por João Batista, o sonho de um mundo “cheio da sabedoria do Senhor como as águas enchem o mar” (Is 11,9), como Isaías profetizou… Aproveitemos essas quatro semanas tão doces, que recordam a espera de Israel e da humanidade pelo Messias!

Nos textos bíblicos que a Igreja hoje nos propõe, o Senhor sonda as angústias e saudades do coração humano e nos fala precisamente da esperança: ele é o Deus que vem ao encontro dos nossos anseios mais profundos… Mas também nos exorta a vigiar, a nos preparar para acolher o Dom esperado. Aliás, é esta a miséria do mundo atual: busca a paz, procura a vida, mas não busca naquele que é a saciedade do nosso coração e a salvação da nossa existência. O homem tem sede e Deus, misericordiosamente envia-lhe a água, que é o Messias… e o nosso mundo não o reconhece; antes, renega-o! Vejamos se não é assim; recordemos a palavra do Profeta: “Acontecerá nos últimos tempos que o monte da casa do Senhor estará firmemente estabelecido no ponto mais alto das montanhas. A ele acorrerão todas as nações, para lá irão povos numerosos.. porque de Sião provém a lei e de Jerusalém, a Palavra do Senhor”. Vejamos bem: de Israel, Deus prepara uma salvação, uma luz, uma direção para toda a humanidade. O homem sozinho não encontra o caminho, por mais que teime em se julgar grande e autossuficiente. À nossa pobreza, o Senhor vem com uma promessa tão grande. E, se o coração da humanidade acolher a salvação que vem, a luz que brilha, então, encontrará a paz: “Ele há de julgar as nações e arguir numerosos povos; estes transformarão suas espadas em arados e suas lanças em foices: não pegaram em armas uns contra os outros e não mais travarão combate”. Eis a promessa de Deus: dá-nos a salvação; eis o sonho do Senhor: encontrar uma humanidade que acolha o Salvador, dele bebendo a paz!

No nosso mundo, ferido, cansado, incerto… mundo que já não mais crê de verdade em nada, a promessa do Senhor é como um alento. Acreditemos, irmãos! Quão triste o mundo se os cristãos viverem sem esperança, sem certeza, sem ânimo, como os pagãos… Este Tempo do sagrado Advento quer levantar nosso ânimo: o Senhor, cujo Natal celebraremos dentro de quatro semanas, é o mesmo que virá um dia, na sua manifestação gloriosa! Nossa vida tem rumo e sentido. Vigiemos: “Vós sabeis em que tempo estamos! Já é hora de despertar. Agora a salvação está mais perto de nós do que quando abraçamos a fé. A noite deste mundo já vai adiantada, o Dia vem chegando” – o Dia é Cristo, Salvação que Deus nos prometeu e nos preparou! Então: “Despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da luz. Procedamos honestamente, como em pleno dia” – como quem vive já agora, durante a noite deste mundo, no Dia, que é Cristo-Deus: “nada de glutonerias e bebedeiras, nem de orgias sexuais e imoralidades, nem de brigas e rivalidades. Pelo contrário: revesti-vos do Senhor Jesus”. Eis o modo de vigiar na noite deste mundo, eis o modo de testemunhar que esperamos, na vigilância, o Salvador que nos foi prometido e virá. É oportuno recordar que este texto da Carta aos Romanos, foi o que provocou a conversão de Santo Agostinho, lá no distante século V. A Palavra de Deus é sempre um apelo gritante e forte para nós! Que ela nos converta também agora!

A grande tentação para os discípulos de Cristo, hoje, é conformar-se com o marasmo do pecado do mundo, é viver burguesamente, uma vida cômoda e sem uma fé verdadeira e operante, sem aquela atitude de alegre expectativa por aquilo que o Senhor nos prometeu. Vamos nos ocupando e distraindo com uma vida fútil, dispersa em mil bobagens, esquecendo daquilo que realmente importa! Vale para nós a advertência seríssima do Senhor Jesus: “A vinda do Filho do Homem será como no tempo de Noé”: Naquele então, todos viviam tranquilamente: “comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até que Noé entrou na arca e eles nada perceberam…” Como agora: vive-se na farra do paganismo, do consumismo, do relaxamento moral, de tantos absurdos contrários ao Evangelho… e não percebemos que haverá um juízo decisivo de Deus para nós e para o mundo, um juízo no qual o bem e o mal, o santo e o pecador, serão separados: “um será levado e o outro será deixado”… Triste de quem for deixado, triste de quem perder a companhia do Senhor, nossa paz! Pois bem: logo neste iniciozinho de Advento, a advertência do Senhor é dramática: “Ficai atentos, porque não sabeis em que dia virá o Senhor! Na hora em que menos pensais, o Filho do homem virá!”

Então, enquanto o mundo dorme no seu pecado, na sua auto-satisfação, elevemos, humildemente nosso olhar e nosso coração para Aquele que vem: “A vós, meu Deus, elevo a minha alma. Confio em vós, que eu não seja envergonhado! Não se riam de mim meu inimigos, pois não será desiludido quem em vós espera!” – Marana thá! Vem, Senhor Jesus!

+ Dom Henrique Soares da Costa
Bispo Diocesano de Palmares/PE


1º DOMINGO DO ADVENTO

 

matriz-2Iniciamos hoje o tempo do advento! Um tempo de profunda espiritualidade que deve ser marcado pelo o nosso desejo de conversão, algo fundamental para quem deseja fazer do seu coração uma manjedoura para acolher Jesus! Sem um retorno de todo o nosso ser a Jesus, não tem como vivermos o verdadeiro sentido do Natal!

O tempo do advento, não se limita na preparação para o Natal, pois enquanto nos preparamos para esta grande festa, estamos nos preparando também, para a segunda vinda de Jesus que pode acontecer a qualquer momento.

A liturgia deste tempo nos insere em toda a história da salvação, levando-nos a reviver a mesma esperança da vinda do Messias, vivida pelo povo de Deus no início da história, com uma só diferença: o Messias tão esperado por aquele povo, já veio, já está entre nós!

O advento é um tempo propício para nos reconciliarmos com Deus, o que fazemos, quando reconciliamos com o nosso irmão! Neste tempo de espera, de nascimento e de renascimento, o nosso coração se rejubila, torna maleável, aberto para acolher Jesus que vem reacender em nós a chama da esperança. Essa esperança que transcende às coisas materiais, porque inclui uma visão de mundo, onde ainda é possível haver justiça, paz e amor, valores que mantém o equilíbrio da vida.

O evangelho que é apresentado pela liturgia deste domingo nos convida a refletir quanto à consciência que devemos ter do nosso tempo de vida terrena. É importante conscientizarmo-nos de que este nosso tempo presente deve ser um tempo bem vivido, pois ele é o único espaço sagrado que Deus nos concede para buscarmos, em Jesus, o nosso encontro definitivo com Ele.

O texto vem nos acordar para uma realidade que ninguém pode fugir: a certeza da nossa morte. Quanto ao dia e hora da nossa passagem, Deus preferiu ocultar de nós. Jesus só nos deu uma pista: trata-se de algo inesperado, o que pode nos deixar apreensivos. No entanto, para quem vive de acordo com a vontade de Deus, o dia e a hora não importa, o importante é estar o tempo todo em sintonia com Deus, ciente de que há uma vida melhor por vir, uma vida em plenitude que é a vida eterna!

No texto escolhido para marcar o início deste Advento, Jesus exorta os discípulos sobre a importância de uma constante vigilância, fazendo menção ao tempo de Noé, no sentido de recomendá-los para que eles não se distraíssem com as coisas do mundo, como fizeram as pessoas antes do dilúvio, e se esquecerem do principal, que é a busca pela santidade!

As palavras de Jesus respondem as indagações de muitos que ainda hoje perdem tempo buscando explicações sobre o fim do mundo, ao invés de aproveitarem bem este precioso tempo na preparação para a vida futura!

A mensagem de Jesus, que chega até a nós no dia de hoje, não é ameaçadora. Pelo contrário, é uma mensagem encorajadora, pois o nosso futuro, depende do nosso comportamento de hoje, de não desperdiçarmos a graça de Deus.

“Dois homens estarão trabalhando no campo: um será levado e o outro será deixado”. Como será o critério desta seleção de pessoas? A resposta está na diferença de suas atitudes. Duas pessoas podem até estarem juntas fisicamente, mas buscando diferentes horizontes. Há os que se preparam para a vida futura vivendo de acordo com a vontade de Deus, como há também os que estão alheios à sua vontade. Os que não estiverem preparados no momento da vinda do Senhor perecerão, enquanto que os que estiverem preparados serão levados para junto do Pai.

Jesus nos alerta sobre a importância de estarmos atentos, vigilantes o tempo todo, o que não significa ficarmos apáticos, parados. Pelo contrário, devemos esperar por sua segunda vinda, no exercício da nossa missão, no lugar onde fomos plantados por Deus, para produzir frutos!

Que neste tempo de preparação para o Santo Natal, o nosso coração seja inundado por um amor que liberta, que nos torna flexíveis, dóceis a ponto de nos transformar em sinal vivo de Jesus no meio em que vivemos. Deixemo-nos tocar e nos envolver pelo advento do Senhor Jesus, redescobrindo a alegria, o sentido da fé e do viver segundo a vontade de Deus.

 

Olívia Coutinho

liturgiadiariacomentada2.blogspot.com.br

 

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