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Reflexões › 12/08/2017

Homilia do 19º Domingo do Tempo Comum – Ano A

1Rs 19,9.11-13
Sl 85
Rm 9,1-5
Mt 14,22-23

A Escritura deste Domingo fala-nos de um Deus que é grande demais, misterioso demais, inesperado e surpreendente demais para que possamos enquadrá-lo na nossa lógica e no nosso modo de pensar. Eis, caríssimos! Uma grande tentação para o homem é achar que pode compreender o Senhor, enquadrar seu modo de agir e dirigir o mundo com a nossa pobre e limitada lógica… Mas, o Deus verdadeiro, o Deus que se revelou a Israel e mostrou plenamente o seu Rosto em Jesus Cristo, não é assim! Ele é Misterioso, é Santo, é livre como o vento do deserto!

Pensemos nesta misteriosa e encantadora primeira leitura, do Livro dos Reis. Elias, em crise, fugindo de Jezabel, caminha para o Horeb; ele quer encontrar suas origens, as fontes da fé de Israel. Recordem que o Horeb é o mesmo monte Sinai, a Montanha de Deus. Elias tem razão: nos momentos de dúvida, de crise, de escuridão, é indispensável voltar às origens, às raízes de nossa fé; é indispensável recordar o momento e a ocasião do nosso primeiro encontro com o Senhor e nele reencontrar as forças, a inspiração e a coragem para continuar. Pois bem, Elias volta ao Horeb procurando Deus. Lembrem que no caminho ele chegou a desanimar e pedir a morte: “Agora basta, Senhor! Retira-me a vida, pois não sou melhor que meus pais!” (1Rs 19,4). No entanto, o Senhor o forçou a continuar o caminho: “Levanta-te e come, pois tens ainda um longo caminho” (1Rs 19,7). Pois bem, Elias caminhou, teimou em procurar o seu Deus, mesmo com o coração cansado e em trevas; assim, chegou ao Monte de Deus! Mas, também aí, no seu Monte, Deus surpreende Elias – Deus sempre nos surpreende! O Profeta espera o Senhor e o Senhor se revela, vai passar… Mas, não como Elias o esperava: não no vento impetuoso que força tudo e destrói tudo quanto encontra pela frente, não no terremoto que coloca tudo abaixo, não no fogo que tudo devora… Eis: três fenômenos que significam força, que causam temor, que fazem o homem abater-se… E o Senhor não estava aí. Muito tempo antes, quando foi entregar a Moisés as tábuas da Lei, Deus se manifestara no fogo, no vento e no terremoto: “Houve trovões, relâmpagos e uma espessa nuvem sobre a montanha… E o povo estava com medo e pô-se a tremer… Toda a montanha do Sinai fumegava, porque o Senhor desceu sobre ela no fogo… e toda a montanha tremia violentamente” (Ex 19,16.18). Mas, agora, o Senhor não está no vento impetuoso nem no terremoto nem no fogo… Elias teve de reconhecê-lo, de descobrir sua Presença no murmúrio da brisa suave! – Ah, Senhor! Como teus caminhos são imprevisíveis! Quem pode te reconhecer senão quem a ti se converte? Quem pode continuar contigo se pensar em dobrar-te à própria lógica e à própria medida? Tu és livre demais, grande demais, surpreendente demais! Não há Deus além de ti; tu, que convertes e educas o nosso coração! Elias te reconheceu e cobriu o rosto com o manto, saiu ao teu encontro e te viu pelas costas… Pobres dos homens deste século XXI, que tão cheios de si mesmos, querem te enquadrar à própria medida e, por isso, não te vêem, não te reconhecem, não experimentam a alegria e a doçura da tua Presença!

E, no entanto, meus irmãos, as surpresas de Deus não param por aí! O mais surpreendente ainda estava por vir. Não havia chegado ainda a plenitude do tempo! Pois bem! Na plenitude do tempo, veio a plenitude da graça: Deus enviou o seu Filho ao mundo; ele veio pessoalmente! Não mais no vento, não mais no fogo, não mais no terremoto, não mais pelos profetas! Ele veio pessoalmente, ele, em Jesus: “Quem me vê, vê o Pai. Eu e o Pai somos uma coisa só” (Jo 14,9; 12,45). Por isso mesmo, São Paulo afirma hoje claramente que “Cristo, o qual está acima de todos, é Deus bendito para sempre!” É por essa fé que somos cristãos, meus irmãos! Jesus é Deus, o Deus Santo, o Deus Forte, o Deus Imortal, o Deus de nossos Pais! Nele o Pai criou todas as coisas, por Ele o Pai tirou Abraão de Ur dos Caldeus, por Ele o Pai abriu o Mar Vermelho, por Ele, deu o Maná ao seu povo, sobre Ele fez os profetas falarem e, na plenitude dos tempos no-lo enviou a nós! Surpreendente, o nosso Deus; surpreendente como vem a nós!

Lá vamos nós, lá vai a Igreja, no meio da noite deste mundo, navegando com dificuldade porque a barca da vida é agitada pelos ventos… e Jesus vem ao nosso encontro, caminhando sobre as águas! Em Jesus, Deus vem vindo ao nosso encontro, em Jesus, vem em nosso socorro… E, infelizmente, confundimo-lo com um fantasma, etéreo, irreal. E ele no diz mais uma vez: “Coragem! Sou eu! Não tenhais medo!” Atenção para esta frase do Senhor: “Coragem, EU SOU! Não tenhais medo!” EU SOU! É o nome do próprio Deus como se revelou no deserto! Deus de Moisés, de Elias, Deus feito pessoalmente presente para nós em Jesus Cristo!

Então, caríssimos, digamos como Pedro: “Senhor, manda-me ir ao teu encontro, caminhando sobre á água!” Ir ao encontro de Jesus, caminhando sobre as águas do mar da vida! Todos temos de pedir isso, de fazer isso! Peçamos sim, como Pedro, mas não façamos como Pedro que, desviando o olhar de Jesus, colocando a atenção mais na profundeza do mar e na força do vento que no poder amoroso e fiel do Senhor, começou a afundar! Assim acontecerá conosco, acontecerá com a Igreja, se medrosos, olharmos mais para o mar e a noite que para o Senhor que vem a nós com amor onipotente! E Deus é tão bom que, ainda que às vezes, façamos a tolice de Pedro, podemos ainda como Pedro gritar de todo o coração: “Senhor, salva-me!” Salva-nos, Senhor, porque somos de pouca fé! Salva tua Igreja, salva cada um de nós das imensas águas do mar da vida, do sombrio e escuro mar encrepado na noite opaca de nossa existência! Tu, que durante a noite oravas e vias o barco navegando com dificuldade, do teu céu, olha para nós e vem ao nosso encontro! E tu vens! Sabemos que vens na graça da Palavra, no dom da Eucaristia e de tantos outros modos discretos… Cristo-Deus, ajuda-nos a reconhecer-te, a caminhar ao teu encontro, vencendo as águas do mar da vida! Amém.

+Dom Henrique Soares da Costa
Bispo Diocesano de Palmares/PE


19º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

Nesta segunda semana do mês de agosto, mês das vocações, a Igreja nos convida a refletirmos sobre a vocação familiar, dando uma atenção especial aos pais!
Os pais são os representantes de Deus no seio da família, eles são os pilares que dão segurança a esta instituição sagrada, que é o berço de todas as vocações!
Na família, a figura do pai, sempre aparece como ponto de referência, Deus coloca em suas mãos o destino e a segurança da família. A eles são conferidas as maiores responsabilidades.
O Evangelho que a liturgia de hoje nos convida a refletir nos coloca em alto mar, enfrentando os mesmos desafios que os primeiros discípulos tiveram que enfrentar, enquanto faziam a travessia para a outra margem!
A narrativa diz que depois da multiplicação dos pães, quando Jesus passou para os discípulos a responsabilidade de alimentar uma multidão, ensinando-os a partilhar, manda-os entrar na barca e atravessarem para a outra margem, isto é, a irem ao encontro de outros povos.
Podemos dizer que Jesus já estava preparando os discípulos para caminharem sem a sua presença física! Até então, eles eram totalmente dependentes de Jesus, não davam um passo sequer sem Ele, o que não poderia continuar, afinal, depois da sua volta para o Pai, seriam eles, os responsáveis em dar continuidade a missão de Jesus, a conduzir a sua barca (Igreja)!
Em atendimento a Jesus, os discípulos entram na barca e avançam mar a dentro, remando em direção à outra margem. Atravessar para a outra margem foi o primeiro desafio que os discípulos tiveram que enfrentar, e foi nesta travessia que eles experimentaram as consequências da falta de fé.
Jesus mandou que os discípulos fossem à sua frente, mas Ele não os perdera de vista. Assim como os pais, observam os seus filhos, quando eles dão seus primeiros passos, Jesus observava os discípulos à distancia, vê quando eles são surpreendidos por uma tempestade em alto mar. Jesus vê e vai ao socorro deles!
“A barca, porém, já longe da terra, era agitada pelas ondas, pois o vento era contrário”. Podemos tirar vários significados desta narrativa: os ventos contrários, o mar revolto vem nos falar das dificuldades que a Igreja e todos os que abraçam a sua vocação enfrentam pelo caminho. “Pelas três horas da manhã, Jesus veio até os discípulos, andando sobre o mar”. Para os Judeus, o mar era visto como o mal, para nós, “Jesus andando sobre o mar” significa, que Ele está acima de todo o mal! O mal não tem vez diante de Jesus! Quem está com Jesus, está seguro, não precisa temer os ventos contrários!

“Coragem! Sou eu”. Jesus vai em direção aos discípulos e eles não o reconhecem de imediato, chegando a pensar que se tratasse de um fantasma. Pedro chegou ao ponto de pedir uma prova a Jesus: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro,caminhando sobre a água”. O que pode acontecer também conosco: não reconhecer Jesus na pessoa de seus enviados, naqueles que Ele envia para nos socorrer!
O medo que se apossou dos discípulos, pode também se apossar de nós, quando não alimentarmos a nossa fé. O medo, que paralisa e que quase afundou Pedro, significa falta de fé!

Fazendo uma reflexão mais profunda desta passagem, podemos dizer que o maior perigo que os discípulos correram não foi de um naufrágio nas águas do mar, e sim do naufrágio na fé! Este sim poderia lhes tirar a vida, os fazendo abandonar a missão! Perder a fé é perder a vida em plenitude. Deste naufrágio nós não somente devemos temer como também evitá-lo, alimentando a nossa na fé no nosso dia a dia. Antes perder a vida física do que perder a fé!
“Homem fraco na fé, por que duvidaste?” Assim como Pedro vacilou várias vezes na fé, nós também estamos sujeitos a vacilar, mas o importante é fazer como Pedro: reativar a fé, pedindo socorro a Jesus: “Senhor, salva-me!”
Os discípulos tiveram muitas dificuldades em atravessar para a outra margem, nós também temos muitas dificuldades em atravessar os mares impetuosos do nosso interior, como o egoísmo, para irmos ao encontro do outro!

Se algum dia formos surpreendidos pelas ondas do mar revolto da nossa vida, não tenhamos medo, confiemos em Jesus, Ele virá ao nosso socorro, não da mesma forma que foi ao socorro dos primeiros discípulos, mas Ele virá escondido no coração de alguém, no coração dos seus enviados, pode até ser no coração de um desconhecido!
Lembremos: ora somos socorridos, ora somos os enviados a socorrer.

Olívia Coutinho

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