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Notícias › 02/11/2016

Finados: a difícil superação do luto

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Moacir Beggo

Concórdia (SC) – A chuva constante neste dia 2 de novembro em Concórdia (SC), em que se comemora todos os fiéis falecidos, não impediu que familiares e amigos fossem nos dois cemitérios da cidade celebrar a memória de todas as pessoas que já partiram. A data oficial para celebrar os Finados, bem como o dia de Todos os Santos, é datada do século XI, porém a celebração existe desde os primeiros séculos, quando os cristãos já visitavam os túmulos dos mártires.

Frei Délcio Francisco Lorenzetti, vigário paroquial da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, celebrou a Santa Missa às 9 horas no Cemitério Parque de Concórdia. Este dia é de saudade, de reflexão e, principalmente, de orações para os entes queridos que já partiram.

finados_01“Assim como hoje nos encontramos para a nossa celebração junto às sepulturas de nossos entes queridos, pais, avós, irmãos, familiares e amigos que partiram, assim praticamente em todos os cemitérios do mundo, no dia hoje, são centenas, milhares e milhões de pessoas que para lá se dirigem para fazer a sua prece, fazer memória daqueles que um dia, de forma toda especial, fizeram parte de nossa história, ou nós fizemos parte da vida deles”, disse Frei Délcio.

“Em solidariedade, em forma de prece, aqui nos encontramos para junto à sepultura fazermos a nossa oração por eles”, explicou, dizendo que este dia também deve nos recordar que vida é finita, passageira. “Estamos aqui de passagem, cumprindo a missão que nos foi dada, mas neste dia de modo especial reconhecendo a nossa fragilidade humana, as nossas limitações humanas, a nossa fragilidade física, mas na gratuidade da vida, procurando fazer o melhor na nossa vida”, enfatizou.

Esse dia, segundo o celebrante, é para renovarmos a nossa fé nas palavras de Jesus: “‘Alegrai-vos e exultai porque será grande a vossa recompensa no céu’. Por que será grande a nossa recompensa? Se na nossa vida a conduzirmos segundo as atitudes e o modo de viver que Jesus nos propõe no Evangelho em que acabamos de ouvir. São várias bem-aventuranças. É um caminho de vida que Jesus propõe para merecermos dele esta garantia”, disse, destacando a esperança do cristão na vida eterna.

finados_03A DOR QUE NÃO VAI EMBORA

O jovem Willian Jonathan da Silva estava prestes a completar 22 anos, quando no dia 20 de julho de 2013, perdeu a vida num acidente no KM 68 da SC 283. A vida deste jovem cheio de sonhos, mudou por completo a vida da família e, especialmente, da mãe Dona Alair Silva. “Hoje é um dia muito difícil. Tento superar a saudade imensa que sinto pensando em coisas boas. Mas eu tenho muita saudade. Penso nele todo dia”, desabafa a mãe, que por causa da tragédia com o seu filho praticamente está sem voz e faz terapia. “Vivo por viver”, disse.

Casada com Marcolino, Alair tem mais dois filhos (Edson e Robson). “O do meio fez uma grande tatuagem com o rosto do irmão no corpo. O mais velho evita as fotos”, conta a mãe, que não consegue superar a ideia de que seu filho poderia estar vivo se tivesse um atendimento mais rápido. “Se tivessem estancado o sangramento, ele estaria vivo. Ele tinha um telefone no uniforme. Demorou-se muito para levarem ao hospital”, lamenta.  “O pior é que botaram a culpa do acidente no meu filho”, observou. Corpo de Bombeiros de Chapecó, Policia Militar de Arvoredo e Polícia Rodoviária de Concórdia atenderam a ocorrência. No acidente, o Fiat/Uno do jovem que estava em serviço pela Arpa Sistemas colidiu na lateral da carreta placas MFX-7654 de Seara, perdendo o controle e atingindo também o caminhão placas MAW-8333 de Itá que vinha de Chapecó.

Frei Gustavo Medella fala sobre esse drama vivido pelas famílias: “O mistério do sofrimento, quando vivido na própria história, ou na vida daqueles que estão próximos, traz em si um caminhão de questionamentos e muito pouco – ou às vezes nada – de resposta. Muitas vezes são anos a fio de limitação, dor e luta vivenciados pelo enfermo e por aqueles que estão a seu redor, especialmente os mais próximos. Não são poucos os que, ao contemplar tamanha provação, sentem profunda dificuldade em enxergar um sentido para vida que seja capaz de ir além daquele sofrimento macerante, a molde do personagem bíblico Jó, quando diz: ‘Pereça o dia em que nasci, e a noite que disse: ‘Foi concebido um menino’. (Jó 3,3)”

 

1 Comentário para “Finados: a difícil superação do luto”

  1. Aloisio Antonio Veiga de Mello disse:

    Jesus, nosso Divino Mestre nos ensinou; “acaso não beberei o cálice que o Pai me deu?”. O cálice foi a paixão e morte na cruz. Em outro momento nos ensinou que quem quiser segui-lo, terá que tomar sua cruz diária. Assumir a cruz é a lição do Mestre e a dor do luto é uma das facetas da cruz que devemos tomar para segui-lo. Tem também a lógico temporal: antes da glória do domingo de Páscoa vem a dor da sexta-feira da Paixão. O caminho para a vida eterna passa pela cruz. Então, é necessário aceitar as coisas como são e não enfrentar sozinho essa tristeza, se faz necessário pedir socorro ao Espírito Santo, consolador, com seus dons, em especial, os da fortaleza e do entendimento.

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