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Reflexões › 11/03/2017

Homilia do 2º Domingo da Quaresma

2º DOMINGO DA QUARESMA

Gn 12,1-4a
Sl 32
2Tm 1,8b-10
Mt 17,1-9

No Domingo passado, primeiro da Quaresma, meditamos sobre as tentações de Jesus. O Senhor no deserto, lutando contra o diabo, convidava-nos ao combate espiritual, próprio do deserto quaresmal. Sim, porque é isso que o tempo santo que estamos vivendo deseja ser: tempo de retiro no deserto do coração para combater nossos demônios interiores e, pela oração, a penitência, a caridade fraterna, a escuta da Palavra de Deus e a reconciliação sacramental, caminharmos para a santa Páscoa.

Na liturgia deste hoje, ladeado por Moisés e Elias, que também enfrentaram durante quarenta dias e quarenta noites o combate no deserto para experimentarem o fulgor da glória de Deus, Jesus nos mostra qual a finalidade do nosso caminho quaresmal, Jesus nos revela aonde nos leva nosso combate espiritual. Qual o objetivo? Qual a finalidade? Ei-los: celebrar com ele a sua Páscoa, sendo com ele transfigurado em glória! Nosso objetivo, nosso escopo, o feliz e gozoso fim do nosso caminho é o Cristo envolto na sua glória pascal que nos transfigura também a nós! Mais que Moisés e Elias, nós seremos envolvidos da glória de Cristo, aquela glória que é o Espírito Santo que o Pai derramou sobre ele na sua ressurreição! Passaremos, portanto, do roxo quaresmal, tão sóbrio, para o esfuseante branco pascal, sinal da glória e da imortalidade, transfigurados em Jesus e por Jesus, o homem perfeito, modelo de todo ser humano que vem a este mundo. Um dia, meus caros em Cristo, passaremos do roxo das lágrimas desta vida, para o branco da glória eterna dos que, revestidos da glória do Cordeiro, haverão de segui-lo para sempre! De Quaresma em Quaresma e de Páscoa em Páscoa, passaremos da Quaresma deste mundo para a Páscoa da glória eterna!

Mas, detenhamo-nos um pouco no Tabor do Evangelho hodierno. Ele é prenúncio, uma misteriosa antecipação da ressurreição. Com sua bendita Transfiguração, Jesus deseja preparar o seus para as dores da paixão – do mesmo modo que a Igreja nos deseja alentar e motivar para as renúncias e observâncias quaresmais. Por isso mesmo, Pedro, Tiago e João, o três que estão no Tabor são os mesmos que estarão no Jardim das Oliveiras. Por isso também o Evangelho de hoje termina com uma alusão à ressurreição de Jesus dentre os mortos e, o relato da transfiguração em Lucas afirma que “Jesus falava de sua partida que iria consumar-se em Jerusalém” (9,30). Eis: Moisés e Elias, a Lei e os Profetas dão testemunho da paixão do Senhor: tudo estava no misterioso desígnio de Deus! Após a ressurreição, isso ficará claro: “’Não era preciso que o Cristo sofresse tudo isso e entrasse em sua glória?’ E começando por Moisés e por todos os Profetas, interpretou-lhes em todas as Escrituras o que a ele dizia respeito” (Lc 34,26-27). Eis que mistério: a Lei (Moisés) e os Profetas (Elias) dão testemunho de Jesus e aparecem iluminados por ele. Somente nele, na luz da sua cruz e ressurreição, o Antigo Testamento encontra sua plenitude e sua luz!

Sendo assim, levantemo-nos! Tomemos, generosos, nosso caminho quaresmal! Também nós somos chamados, como nosso pai Abraão o foi, a sair: sair de nós mesmos, sair de nós velhos para nós renovados, transfigurados à imagem do Cristo Jesus! Tenhamos a coragem de atravessar o deserto interior, enfrentar o deserto do nosso coração, como Moisés e Elias, como o povo de Israel, como o próprio Senhor Jesus, que por nós quis ser tentado no seu período de deserto! Somente assim chegaremos renovados e purificados ao nosso destino. Este destino não é um lugar, mas uma situação, uma realidade: é o homem novo, transfigurado à imagem do Cristo que, após o tormento imenso da cruz, foi glorificado pelo Espírito do Pai. Eis o caminho quaresmal: do homem velho ao homem novo, do pecado à graça, do vício à virtude, da preguiça espiritual à generosidade, da morte à vida, da tristeza à alegria… trazendo em nós, na nossa vida, o reflexo da glória do próprio Cristo Jesus! Não é este o significado das palavras de São Paulo, na segunda leitura de hoje? “Sofre comigo pelo Evangelho. Deus nos salvou e nos chamou a uma vocação santa… em virtude da graça que nos foi dada em Jesus Cristo. Esta graça foi revelada agora, pela manifestação de nosso Salvador, Jesus Cristo. Ele não só destruiu a morte, como também fez brilhar a vida e a imortalidade”. Eis! Os sofrimentos e lutas desta vida não são pesados se compararmos com o objetivo tão alto que nos preparam!

Caríssimos, que as práticas quaresmais, vividas com generosa fidelidade, arrancando o pecado que nos torna opacos, possam revelar em nós o resplendor da glória de Cristo a que somos chamados e que já está presente em nós desde o nosso batismo!

Mais ainda: que a novidade de nossa vida transborde para o mundo, que tanto tem necessidade do testemunho dos cristãos. Nunca esqueçamos: este mundo mergulhado na violência (violência da injustiça, violência do desrespeito à dignidade humana, violência da fome, violência dos atentados à paz, violência das drogas e das mentiras, violência dos meios de comunicação, violência da negação de Deus)… este mundo precisa de nosso testemunho e de nossa palavra, mesmo quando nos rejeita, quando despreza o nome de Cristo, quando deseja esquecer o seu Senhor e pisar os valores do Evangelho!

Deixemo-nos, portanto, transfigurar pelo Senhor e sejamos luz para o mundo! Como pede a oração inicial da Missa hodierna: Senhor, “que purificado o olhar da nossa fé, nos alegremos com a visão da vossa glória!” Por Cristo, nosso único Senhor. Amém.

+Dom Henrique Soares da Costa
Bispo Diocesano de Palmares/PE


2º DOMINGO DA QUARESMA

Estamos no segundo Domingo da Quaresma, nos preparando para a grande festa da vida: a Páscoa do Senhor Jesus!
Este tempo reflexivo nos sugere um retiro interior, um esvaziamento de nós mesmos para que possamos mergulhar no mistério do amor do Pai, deixando Jesus entrar na nossa vida e nos modificar por inteiro. Enxertados em Jesus, não vamos ter dificuldades em viver a nossa realidade dentro do plano de Deus, no respeito e no cuidado com o que lhe é mais precioso: a vida humana!

Junto com a Quaresma, a Igreja nos apresenta a Campanha da Fraternidade, com suas preocupações e desafios: “Tema: ‘Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida’. Lema: ‘Cultivar e guardar a criação’ (Gn 2.15). É a Igreja mais uma vez nos convidando a seguir o exemplo de Jesus no cuidado com a vida, não somente com a nossa vida, mas também com toda a criação de Deus! Como seguidores de Jesus, não podemos cruzar os braços diante da realidade que aí está: uma terra criada para o homem sendo destruída pelo próprio homem.

Na liturgia deste tempo Quaresmal, há sempre um apelo de conversão. A conversão nos abre à luz de Cristo, nos tira da escuridão, nos faz enxergar e a desmascarar os projetos que não tem comprometimento com a vida! Somos filhos amados de Deus, que mais uma vez deseja percorrer o caminho que Jesus percorreu, atualizando esta caminhada no contexto do mundo de hoje.

O Evangelho que a liturgia deste Domingo coloca diante de nós narra a belíssima cena da transfiguração de Jesus! “Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol e as sua roupas brancas como a luz”. A transfiguração de Jesus foi o prenúncio do seu retorno glorioso ao Pai, quando que Ele apresenta a estes três discípulos uma pequena amostra do céu! Jesus revela-lhes a sua intimidade com o Pai, assegurando-os da sua ressurreição após sua morte de cruz!

Na transfiguração, os discípulos Pedro, João e Tiago puderam visualizar o encontro de Jesus com o Pai. A partir de então, eles, que andavam tristes com as últimas revelações de Jesus sobre o desfecho da sua trajetória terrena que culminaria com a sua morte, se encheram de alegria, pois eles tiveram ali a certeza de que a ação de Jesus aqui na terra, não terminaria com a sua morte! Jesus não se transfigurou diante de todos os discípulos, Ele escolheu apenas três deles. Estes seriam as testemunhas da sua glória junto ao Pai, um testemunho que só poderia ser revelado aos outros discípulos, após a sua ressurreição.

Assim como Pedro desejou construir três tendas para que eles pudessem ficar no alto da montanha com Jesus, longe dos perigos e sem ser preciso batalhar a vida, nós também certamente desejaríamos o mesmo. Essa pode ser a nossa grande tentação nos dias de hoje: buscar a nossa comodidade sem pensar no outro! Ir à missa, rezar, é muito importante, agrada a Deus, mas precisamos descer da “montanha”, andar com os nossos pés neste chão duro com olhar sempre voltado para as margens do caminho, pois é lá que estão os rostos desfigurados de tantos irmãos que contam conosco para se transfigurarem! Precisamos sair de nossas tendas, do nosso comodismo, descruzar os nossos braços, desvendar os nossos olhos e nos por a caminho, pois há muito o que fazer em prol do Reino de Deus!

O episódio da transfiguração deve nos animar ao longo de toda a nossa vida, principalmente quando esta transfiguração nos mostra o lado positivo da cruz! Com a sua vida, Jesus nos ensina a não temermos a cruz, Ele nos trouxe a certeza de que a cruz é apenas uma passagem, a cruz não é definitiva em nossa vida, como não foi definitiva na vida Dele! Guardemos dentro de nós o brilho do rosto transfigurado de Jesus. O brilho do seu rosto nos servirá de farol a iluminar os túneis escuros de nossa vida.

Olívia Coutinho

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